O cenário político também vem fervilhando em Campo Verde após a deflagração da segunda fase da Operação Gomorra no município.
Segundo informações do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), foram cumpridas 26 ordens judiciais, sendo oito mandados de busca e apreensão, uma medida de afastamento de sigilo fiscal, quatro afastamentos cautelares de servidores públicos e 13 ordens de indisponibilidade de bens e arresto de ativos financeiros.
A operação, conduzida pelo Ministério Público por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco Criminal), investiga supostas fraudes em processos licitatórios e na execução de contratos firmados com a administração pública.
Durante a ação, foram apreendidos R$ 17 mil em espécie na residência de um dos investigados. Além disso, o Naco Criminal requereu à Justiça o bloqueio de ativos financeiros que somam mais de R$ 2,9 milhões. A medida busca assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos e preservar recursos que possam estar relacionados aos fatos investigados.
A operação contou com apoio da Polícia Civil, da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As diligências ocorreram em Cuiabá e Campo Verde. Na capital, os mandados foram cumpridos em residências e empresas ligadas aos investigados. Já em Campo Verde, as ações ocorreram na Prefeitura Municipal e nas residências de dois servidores públicos investigados.
Apesar de o processo ainda tramitar sob sigilo até a publicação desta matéria, parte do conteúdo acabou vazando para portais de notícias da capital. Conforme apurado pela reportagem do Plantão da Notícia, algumas informações divulgadas utilizam trechos que constam efetivamente nos autos, embora em alguns casos tenham sido apresentadas com interpretações e ilações sobre supostas participações e hierarquias dentro do esquema investigado.
O prefeito Alexandre Lopes também se manifestou por meio das redes sociais. Ele afirmou que não seria o “ponto central” das investigações, como teria sido apontado em algumas reportagens, e declarou que a própria Prefeitura teria iniciado as apurações que culminaram na operação. No entanto, o posicionamento difere da declaração dada no dia em que a operação foi deflagrada, antes do vazamento do conteúdo do processo, quando afirmou que a investigação tratava apenas da aquisição de peças.
Presidente do PL comenta operação
Diante da repercussão do caso, outras lideranças políticas também passaram a se manifestar. Um deles foi o presidente do Partido Liberal (PL) de Campo Verde, Michel Miranda, conhecido como “Mano Véio”, que concedeu entrevista ao Plantão da Notícia.
Michel iniciou destacando que não cabe ao partido ou a ele fazer qualquer julgamento sobre os investigados.
“Não cabe a nós, nem como presidente do PL, nem como cidadão, julgar alguém. Esse papel cabe à Justiça do Estado de Mato Grosso.”
Apesar disso, afirmou que a repercussão estadual da operação prejudica a imagem de Campo Verde.
“É muito ruim porque hoje nosso município tem saído mais nas páginas policiais do que nas páginas mostrando novas empresas, geração de emprego, desenvolvimento ou obras importantes.”
Ele também criticou declarações do prefeito Alexandre Lopes ao afirmar que a própria administração teria provocado as investigações.
“Quando ele diz que foi quem fez a denúncia, isso ficou muito vago. Se fosse uma denúncia da própria Prefeitura, ele teria poder para afastar servidores de confiança sem necessidade de uma operação dessa dimensão. Achei essa fala infeliz.”
Durante a entrevista, Michel afirmou ainda que espera que todas as denúncias sejam devidamente apuradas.
“Espero que isso não seja verdade, porque esse dinheiro pertence à população e deve ser investido no município.”
O presidente do PL também relembrou que, segundo ele, durante a campanha eleitoral de 2024 já haviam sido feitos alertas sobre possíveis problemas administrativos.
“Falamos de muitas situações durante os debates e hoje vemos parte dessas questões sendo investigadas. Não somos contra a reeleição, mas entendemos que, para Campo Verde, ela não funcionou.”
Michel ainda fez críticas à atual gestão municipal, afirmando que considera este “o pior mandato da história do município”, além de dizer que a imagem de Campo Verde foi prejudicada pela repercussão da operação.
Ao final da entrevista, afirmou que o vereador João “Fique Frio”, do PL, deverá buscar esclarecimentos formais sobre o caso junto ao Poder Executivo.
“Não estamos aqui para julgar ninguém, mas para cobrar fiscalização. Quem não deve, não teme. Dinheiro público é uma coisa muito séria e tudo precisa ser investigado.”
Processo continua sob sigilo
A reportagem do Plantão da Notícia continua buscando informações sobre a quebra do sigilo do processo, que, de forma incomum, ainda não foi liberado.
Segundo o que foi apurado junto ao Ministério Público, o conteúdo permanece sob sigilo porque sua divulgação poderia comprometer o andamento das investigações. Por esse motivo, embora a reportagem tenha tomado conhecimento de parte das denúncias, bem como dos nomes de pessoas e empresas investigadas, optou por não divulgá-los neste momento.
O Plantão da Notícia seguirá acompanhando o caso e, assim que houver autorização judicial para divulgação dos autos, trará todas as informações de interesse público com responsabilidade e compromisso com a correta apuração dos fatos.

















